Os 94 anos de uma mãe heroína: Zuzu Angel.

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Zuleika Angel Jones, nascida Zuleika de Souza Netto e conhecida como Zuzu Angel, (Curvelo, 5 de junho de 1921  Rio de Janeiro, 14 de abril de 1976) foi uma estilista brasileira, mãe de Stuart Angel Jones, da jornalista Hildegard Angel e de Ana Cristina Angel Jones. Personagem notória do Brasil da época do golpe militar, ficou conhecida nacional e internacionalmente não apenas por seu trabalho inovador como Bordelista mas também por sua procura pelo filho, militante, assassinado pelo governo e transformado em desaparecido político, em que enfrentou as autoridades da época e levou sua busca a se tornar conhecida no exterior.

A SUA MORTE:

A busca de Zuzu pelas explicações, pelos culpados e pelo corpo do filho só terminou com sua morte, ocorrida na madrugada de 14 de abril de 1976, num acidente de carro naEstrada da Gávea, à saída do Túnel Dois Irmãos (Estrada Lagoa-Barra), Rio de Janeiro, hoje batizado com seu nome. O carro dirigido por ela, um Karmann Ghia TC, derrapou na saída do túnel e saiu da pista, chocou-se contra a mureta de proteção, capotando e caindo na estrada abaixo, matando-a instantaneamente.3 Está sepultada no Cemitério de São João Batista, no Rio de Janeiro.

Uma semana antes do acidente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque de Hollanda um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse, em que escreveu:. “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.

Em 1998, a Comissão Especial dos Desaparecidos Políticos julgou o caso sob número de processo 237/96 e reconheceu-a como pessoa que, “por ter participado, ou por ter sido acusada de participação, em atividades políticas, tenha falecido por causas não-naturais, em dependências policiais ou assemelhadas”.12 13 Em seu relatório final publicado em 2007, a Comissão inseriu depoimentos de duas testemunhas oculares do acidente, sendo um deles prestado indiretamente, que afirmaram ter visto o carro do Zuzu ter sido fechado por outro e jogado fora da pista, caindo de uma altura de cerca de cinco metros.

Em 2013, a organização independente Wikileaks vazou um documento do governo norte-americano datado de 10 de maio de 1976, que comentava a morte de Zuzu num desastre automobilístico e mostrava preocupação com o fato e sua repercussão no Brasil e no exterior, atentando que, “para qualquer um familiar com o trânsito e em especial os túneis do Rio de Janeiro a hipótese de acidente não seja estranha”, embora a hipótese de que possa ter havido “jogo sujo” por parte de forças de segurança não esteja acompanhada de evidências e seja até mesmo esperada, a hipótese não poderia ser descartada.

Em 2014, Cláudio Antônio Guerra, ex-agente da repressão que operou como delegado do Departamento de Ordem Política e Social do Espírito Santo DOPS escreveu o livroMemórias de uma Guerra Suja, no qual relata diversos crimes dos quais participou e fornece detalhes de fatos históricos daquela época que incluem o Atentado do Riocentro, a morte de Zuzu Angel, a morte do delegado Sérgio Fleury, atentados à bomba à sede da OAB e a redações de jornais e revistas.16 Guerra apontou para a presenca do coronel do Exército Freddie Perdigão, agente da repressão e torturador conhecido, em foto do local do acidente que matou a estilista tirada em 14 de abril de 1976. Para a Comissão da Verdade, a foto comprova envolvimento de militares na morte de Zuzu Angel. A foto foi publicada na edição do GLOBO no dia do desastre mas Perdigão não havia sido identificado.

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