Artigo: O Crime Organizado e a Máfia do Colarinho Branco

 Revolver que a muie deu tiro no namorado - 27-03-07

Sabemos que não se deve fazer apologia ao crime, mas independente de qualquer fato, a criminalidade apresenta um sistema operante muito mais organizado que as formas de governo de nosso país.

Nessa semana, o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo deu declarações a mídia dizendo que a situação do crime organizado não poderia mais se manter como está no país, mediante aos acontecimentos do Rio e São Paulo, principalmente quando o PCC (Primeiro Comando do Crime) ameaçou colocar a cabeça do governador, Geraldo Alckmin (PSDB), numa bandeja.

Declarações à parte, os brados de revolta ministeriais sempre fizeram e vão fazer parte do panorama político brasileiro com o intuito de desviar atenções dos fatos que achincalham a Soberania Nacional e desvinculam as mazelas governamentais da superfície ocular populista. Se a criminalidade tornou-se organizada e insustentável, não foi sozinha que ela caminhou. Sabemos hoje, às claras evidências, que o sistema de Segurança Pública (com ressalvas) muito tem contribuído para que o sucesso do crime seja alcançado.

Hoje o Brasil se divide em duas esferas sujas de lama até o topo. A esfera governamental e a esfera criminal.

No lado em que se deveria defender o povo, a divisão de poder entre as hierarquias e as responsabilidades são tão burocráticas e tão cheias de morosidades que acabam turvando a as ações dos envolvidos e mostrando cada ação com um benefício político para logo mais adiante. Isso porque o fisco passou a ser vigiado com rigor para se evitar a corrupção e que o dinheiro público fosse evitado de escoar pelas cuecas, meias ou ductos quaisquer de levianos que transformam as ações politiqueiras em meios de vida para si e para os seus.

Parece que nada adiantou. Nem com a responsabilidade fiscal e nem com a responsabilidade por caráter. A palavra de fundo é: política. Muitos são os culpados envolvidos no caso do mensalão. Pela Justiça Nacional, muitos deveriam ser condenados e cassados dos poderes políticos, mas, a Soberania Nacional parece intervir com tamanha força para se manter no Poder que passa por cima de qualquer noção de Lei, regras e hierarquias, humilhando e esfregando as farras públicas na cara dos miseráveis que se calam em troca de uma “Bolsa Família”.

Do outro lado, temos os comandos do crime. Operantes com hierarquias e autonomias não regidas pelas Leis da Soberania, mas pela Lei da vida e das ruas. Neste caso, o processo não é moroso. As comunicações e ações são rápidas, as chefias atendem a sua clientela com afinco e ainda, como no caso dos políticos, fazem suas bolsas auxílios para manter o silêncio da população.

O poder, nesse caso, é algo esfregado violentamente na cara das pessoas pelo seu arsenal de fogo e pela sua funcionalidade. É tão verdade que a palavra de um bandido é tão mais válida numa comunidade que a ação militar que, quando se rouba a casa de alguém, em instantes, mediante a reclamação, o objeto é devolvido ao seu dono pelos próprios bandidos sem a ação da polícia.

A forma como cada responsável do crime trabalha pelo seu setor com seriedade é tão grande que é possível saber que até mesmo dentro da cadeia os chefes dos tráficos conseguem monitorar o translado de suas encomendas e a distribuição das mesmas por suas hierarquias. No lado do crime, bandido sabe que ninguém ultrapassa a área de ninguém, e se respeita, pois sabe que ali as coisas serão resolvidas.

O que o brasileiro precisa entender é que os valores e as ações corretas estão sendo trabalhadas no que se chama de lado obscuro. Enquanto uma parcela do Sistema tenta sobreviver com as virtudes de um sistema democrático organizado, a outra usufrui de forma ilícita das brechas encontradas na Lei e na política evidenciando o crime com um sucesso muito maior do que ele de fato tem.

São tantos os fatos criminosos que vemos espalhados pelos jornais desse país que fica uma dúvida cruel no ar em saber quem de fato é o mocinho e quem é o bandido na História. No fundo, tudo o que vemos é crime, o que muda são os nomes destinados a eles, já que o destino da palavra “organização” é bem claro de qual lado está.

Para um observador com um olhar mais depurado, é possível entender que as situações vivem numa relação de interdependência, em que uma finge que domina e a outra finge que é quase dominada. Ninguém sabe de nada e ninguém nunca viu nada. Seguem pela política da omissão e da proteção e, assim, seguimos todos ao Deus dará.

 

J. SANE MALAGUTTI
Colunista Social, Fotógrafo e, Psicólogo Clínico e Organizacional

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